quarta-feira, 30 de abril de 2008

Quadrinhos africanos



No ano passado fiz uma apresentação da programação do FIQ - Festival Internacional de Quadrinhos - para uma platéia de professores aqui de BH. Estava eu lá todo animado falando das exposições e convidados, vindos dos EUA, França, Itália, Japão, Espanha e de vários estados brasileiros. De repente, uma professora me pergunta sobre os quadrinhos africanos, se teríamos alguma exposição sobre eles. Meio sem graça lhe disse que, infelizmente, não teríamos nenhum representante da nona arte africana. Na realidade naquele momento não me lembrava de conhecer algum quadrinista daquele continente. A única coisa relacionada à África de que me lembrava era o álbum Wallaye do francês Jano, que narra as aventuras do seu personagem Kebra em terras africanas.

Apesar de o álbum ser muito bom e mostrar que jano sabia o que estava escrevendo e desenhando, não era quadrinho africano. Para que os quadrinhos africanos não ficassem totalmente fora do FIQ, conversei a respeito com Roberto Ribeiro, da casa 21, nosso parceiro no FIQ, que lembrou da professora e pesquisadora Sônia Luyten, que já havia escrito a respeito do tema.
A Sônia veio ao FIQ e, brilhantemente, apresentou o que havia de produção em quadrinhos na África.
Mas o melhor disto tudo foi que, por coincidência, uma coleção de quadrinhos trazida pela Embaixada francesa para exposição durante o FIQ, trazia o álbum Aya de Yopougun, escrito por Marguerite Abouet, da Costa do Marfim e desenhado pelo francês Clément Oubrerie. Editado pela Gallimard em dois volumes, o livro foi o vencedor do Prix de premier album, de 2006, do Festival de Angoulême, principal evento de quadrinhos na Europa.
Bem, foi minha primeira leitura de um quadrinho africano, que mesmo desenhado por um europeu, tem sua alma no belo texto de Marguerite. Aya trata das aventuras de três amigas adolescentes Aya, Adjoua e Bintou, nas ruas de Yopougon, um bairro de Abidjan, maior cidade da Costa do Marfim. Como toda adolescente, a vida das meninas gira em torno da família, encontros, namoro, sexo, expectativas de vida. E tudo isso é tratado com um humor surpreendente

Aya traz uma narrativa que foge dos clichês sobre as calamidades e tragédias africanas. Afinal existem muitas outras histórias que podem ser contadas.

Vale a pena a leitura. O único senão e que o livro ainda não foi editado no Brasil. O momento editorial é propício. A lei 10.639, que incluiu nos currículos escolares o ensino da história e cultura africana tem estimulado muitas publicações sobre a áfrica e de autores africanos. O próprio mercado de quadrinhos tem espaço para álbuns como este.

Mais inspirações



Veja a capa do recente mangá Corpse delivery, recentemente publicado por aqui. Não lembra o cartaz do filme Anatomia de um crime, de 1959?

Inspirações





Segundo notícia do Universo HQ o Baú da Felicidade, do Grupo Silvio Santos, lançou uma nova campanha para o dias das mães com os personagens os imbatíveis.

A campanha é uma criação da MF5 comunicações. O interessante é que os personagens são, digamos assim, inspirados nos Impossíveis, sucesso na TV nos anos sessenta e reprisado trocentas vezes nas décadas seguintes. Não consegui achar no site da agência referências à campanha do baú, que pudesse esclarecer a "inspiração".

terça-feira, 29 de abril de 2008

Um personagem


A série The Office mostra o cotidiano de uma filial de um atacadista de pápeis. Montada como se fosse um reality show "fake", um mockumentary, The office é um dos mais bacanas seriados hoje na TV. O nome mais conhecido é o de Steve Carrel que vive o amalucado e egocêntrico chefe, Michael Scott,inclusive ganhando, em 2006, o globo de ouro de melhor ator em comédia pelo papel.
MAs o destaque deste post é para Dwight Schutre vivido pelo ator Rain Wilson. Dwight é o principal vendedor da Dunder Mifflin e "braço direito" de Michael. Ele não é um puxa-saco convencional ou um simples bajulador. Para Dwight, Michael é seu mestre e ídolo e ele sempre está pronto para apoiar todas as atitudes do seu chefe, mesmo aquelas mais idiotas e insensatas. Na condição de assistente do gerente regional, cargo fictício inventado por Michael, Dwight vive a ilusão de um dia comandar o escritório. O temor dos colegas é o extremo autoritarismo do colega, que se agarra a qualquer fiapo de poder para baixar normas e reprimir a todos Além do trabalho no escritório Dwight comanda uma bizarra fazenda de beterrabas.
Wilson constrói um personagem sensacional, uma espécie de Sancho Pança da Juventude Hitlerista, extremamente fiel aos delírios de grandeza de seu chefe.
Para quem ainda não vui The Office está no FX, segundas, às 21h, em sua 4ª temporada. A série também já saiu em DVD. Vale a pena.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Quino, muito além da Mafalda




Mafalda é a mais importante criação do cartunista argentino Quino. A petulante menina foi editada em vários países e é um dos personagens de quadrinhos mais conhecidos do grande público no mundo inteiro. Sua última tira foi publicada em 1973. Bem, Mafalda todo mundo conhece,o que muita gente não sabe é que o trabalho de Quino como cartunista sobreviveu ao fim da Mafalda e continua até hoje. Recentemente, no Brasil, parte deste trabalho foi publicado pela Martins Fontes. Nos oito álbuns até agora publicados, Quino dispara para todo lado. Está lá a crítica às elites, aos políticos e poderosos, mas o humor de Quino trata também de situações cotidianas, pessoas comuns e temas tradicionais do cartum como o naufrago e a morte.
Vale a pena a leitura, mesmo que você não seja fã da Mafalda.
O site do Quino é legal. Lá tem informações sobre as atividades do cartunista, publicações, entrevistas e até um fórum. Só tenha cuidado com a versão em português, pois não é atualizada desde 2005.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Ninguém merece


Foi lançado aqui em BH, no dia 18 de abril, o livro Ninguém merece, de Chantal Herskovic( Editora Leitura, R$ 18,00) Chantal é uma talentosa cartunista,quadrinista e ilustradora. Publica a tirnha Juventude no Estado de Minas. O livro trata das aventuras da adolescente Cacau pelo mundo dos blogs e internet. Vale a pena a leitura

Mônica 1970/Mônica 2008



Com a reedição das primeiras histórias da Turma da Mônica pela Panini é interessante fazer uma comparação daquele primeiro número, publicado em 1970, com a última edição de abril de 2008.
A mudanças mais óbvia é no traço dos personagens da Turma, que ganharam contornos menos angulares e ficaram mais arredondados. O primeiro número, nesta reedição possui 68 páginas e 6 histórias que variam no tamanho entre 7 e 12 páginas. A edição de abril de 2008, como se tornou padrão nas outras revistas da Turma, possui duas histórias maiores e outras 8 histórias curtas, além da tirinha na última página, distribuídas por 84 páginas
O mais importante é aquilo que não mudou. O humor, as referências a outras mídias, a variação de cores nos planos de fundo estão lá desde o início.
Além da mudança nos traços dos personagens que ficaram menos angulosos, Maurício resistiu em fazer outras modificações mais significativas na Turma ao longo do tempo. As roupas são as mesmas, Mônica nunca perdeu seu vestido vermelho.
Mas isso não torna as histórias atuais anacrônicas, além de vários personagens novos que foram acrescidos à Turma ao longo dos anos, os roteiros sempre trazem referências do mundo moderno.
Enfim passados 38 anos ainda vale a pena acompanhar as histórias de Mônica e a sua turma.